quarta-feira, 17 de junho de 2015

Experimentando


Escrita expandida- a poesia na hipermídia



Se a forma de poesia, mudou com a tecnologia da mídia impressa passando a se relacionar com o passar dos anos mais intensamente com as artes plásticas e até mesmo se misturando a ela a tal ponto que viraram um só objeto artístico, com o advento da internet, antigas relações entre as linguagens artísticas se reafirmaram dentro das possibilidades criadas pelo mundo digital e outras foram estabelecidas.

 Por meio dos códigos binários, vídeos, música, animações e relações intergêneros textuais, se estabeleceram colaborando num mesmo espaço para a construção do significado. No mundo labiríntico da internet, o sistema de articulação de signos se reestrutura mais uma vez, expandindo o conceito de literatura e também de leitor.
No espaço digital, o leitor se torna um navegante capaz não só de ler um texto, mas também de interagir e complementar seu significado, por meio das buscas e contraposição dos conteúdos. Como sabemos as crianças de hoje já nasceram na era digital, elas navegam em seus conteúdos, plataformas e  também fazem uso de ferramentas como os pen-drives e smartphones desde muito cedo.
Não só as crianças fazem parte desse novo veículo, como também os artistas começaram a investigar suas possibilidades e hoje podemos ter acesso ao mais variável e variado conteúdo de literatura e poesia infantil por meio de computadores e outros aparelhos ligados a rede.
Mais do que explicar, colocarei aqui links para que você navegante possa complementar essa pesquisa e experimentar as ferramentas criadas por esses artistas em seu processo de expansão da escrita no mundo contemporâneo e que nasceram com a hipermídia, mas construíram suas raízes sem abandonar as outras revoluções do passado como o livro e a poesia visual nascida dele.

Site da autora Ângela Lago:
http://www.angela-lago.net.br

Ou esse site francês que faz canções interativas:
http://www.tfo.org/jeux/francine/francine.swf

 Ou esse que reconta a chapéuzinho vermelho:

http://divadesiles.free.fr/lePCRWEB.html

Da ilustração a visualidade no livro infantil

No primeiro post falamos, de maneira geral, sobre a visualidade na poesia e também na capacidade inata da poesia ao hibridismo visto que carrega em sua própria forma capacidades visuais, sonoras e estéticas ( Segundo Enza Paund fanopéia, melopeia e logopéia).
A ideia desse segundo post é compreender como historicamente a relação não só da palavra escrita como traço fisicalidade plástica se desenvolveram no livro, mas principalmente como a sua relação com a ilustração que foi se tornando cada vez mais profunda gerando, nas últimas décadas, um intenso experimentalismo por parte dos escritores.
 Influenciados pelos conceitos sobre a função da literatura infantil que se surgiu como moralizante no século XVIII as primeiras ilustrações eram de natureza descritiva e reforçavam as imagens do texto escrito.
Segundo o artigo “Revelações que a escrita não faz: a ilustração do livro infantil” de Ana Paulo Bernardes Abreu publicado na revista “Baleia na Rede” a ilustração de livros infantis começou a ganhar corpo depois da publicação dos contos de fadas (1697) de Perraut, na França, feitas por Gustave Doré. Interessante notar, que o próprio conceito de infância também nasce nesse período, assim podemos dizer que o próprio conceito de literatura infantil carrega desde o princípio uma relação estreita entre a palavra escrita e a ilustração.



Influenciados por Perraut vários escritores começaram a publicar seus livros com ilustrações como os Irmãos Grimm, na Inglaterra. Já no começo do século XIX o conceito de ilustração começa a se expandir com os pop-up e seus desenhos tridimensionais, até que inicio do século XX muitos novos ilustradores ganharam espaço fazendo inclusive reedições dos contos de fadas clássicos como Arthur Rackham. 



É nessa época também que no Brasil começam a sair a primeiras publicações infantis em português brasileiro, visto que antes a literatura infantil era importada de traduções portuguesas ou diretamente da França ou da Inglaterra:
Quando finalmente os fundadores de uma literatura infantil brasileira começaram a traduzir ou a escrever numa linguagem a que chamamos “português brasileiro” nos anos finais do século XIX e início do século XX, os livros tiveram esse tipo de ilustrações feitas por artistas como Calixto Cordeiro, Henrique Cavalleiro e Julião Machado, o mais presente nos livros de Figueiredo Pimentel, um dos fundadores.
Em 1905 é lançado um periódico brasileiro para crianças chamado o tico-tico que inspirado em no periódico françês La Semaine de Suzette, destinado às meninas dos 8 aos 14 anos, tinha o objetivo, segundo Laura Sandroni de “encantar e distrair” as crianças, publicando contos, poesias e principalmente histórias em quadrinhos cujos personagens inspirados em figuras bem nossas, viviam divertidas aventuras e seus 10 mil exemplares iniciais esgotavam-se rapidamente.



Depois desse periódico, outros autores entre eles Monteiro Lobato valorizavam a capacidade da ilustração, não só no sentido narrativo com o objetivo de alcançar também um público não letrado, visto que a ilustração não passa pela barreira da alfabetização, mas também já trabalhando a visualidade da palavra, como nota nesse trecho de sua dissertação José Augusto de A. Nascimento.
Para ter um exemplo dessa visualidade em monteiro lobato visitar:
  /"(...) As formigas, muito contentes, continuaram o serviço e levaram para o fundo da cova o cadáver da vespa. Em seguida apareceu uma trazendo um letreiro assim, que fincou num montinho de terra: 

                                        “AQUI NESTE BURACO JAZ UMA POBRE
                                     VESPA ASSASSINADA NA FLOR DOS ANOS
                                        PELA MENINA DO NARIZ ARREBITADO. 
                                                          ORAI POR ELA!”(...)
Para ler o livro todo clique em:


Importante ressaltar que nas obras de Monteiro Lobado já começam a saltar aos olhos uma nova mudança no conceito de criança, mas que ele ainda privilegiava a linguagem verbal apesar de algumas inovações.
Como um dos precursores desse novo conceito de criança, onde a criança passa a ser um ser pensante , Lobato influenciou muitos escritores contemporâneos. Com esse novo entendimento os livros infantis também se desenvolveram culminando em livros que possuem uma capacidade poética e de experimentalismo narrativo, mesmo sem fazer uso da linguagem escrita, como por exemplos o livro Cântico dos Cânticos da escritora e ilustradora  Ângela Lago e os poemas visuais de Sérgio Caparelli, como vimos no primeiro post. esses escritores que fazem parte de um Boom da literatura infantil no Brasil como nomeia Nely Novaes Coelho. Foi nessa época ,também, que o conceito de ilustração se expande elevando o livro ao status de obra de arte orgânica que se utiliza de varias linguagens.




Nesse breve histórico foram usados dois artigos que você pode encontrar aqui em um, dois clique:
 Este da Laura Sandroni: http://contaumahistoria.com.br/?p=5139
E este da Ana Paula Abreu: http://www.marilia.unesp.br/Home/RevistasEletronicas/BaleianaRede/edicaon7/Revelacoes_que_a_escrita.pdf

E também a dissertação de Jose Augusto A. Nascimento disponível em:

file:///C:/Users/Sheyla/Downloads/JOSE_AUGUSTO_A_NASCIMENTO.pdf


Introdução- Poesia e Imagem



A proposta desse blog é iniciar uma discussão sobre a poesia infanto-juvenil no mundo virtual, verificando suas raízes na poesia visual e entendendo como a hipermídia pode passar os limites do livro e produzir uma ideia mais abrangente de poesia na contemporaneidade.
Se antes da invenção de Gutenberg a poesia e a música eram linguagens que se uniam e até hoje se unem em canções, e até mesmo em jingles publicitários depois da popularização dos meios de impressão, a poesia começa a desenvolver o seu status visual, visto que passou a ser reproduzida por meios impressos. Se traçarmos essa transição da oralidade para escrita podemos entender o porque por muitos anos a ilustração do livro era preterida a parte textual. No inicio o livro foi mero “reprodutor visível do que antes era audível” e  só depois, já no início do século XX começamos a entender o livro em si como espaço visual de percepção simbólica e a relação da palavra escrita com as artes plásticas.

“De um mero epifenômeno da fala, a escrita passou a assumir o risco e o desafio de sua fisicalidade plástica. Desse desafio, brotou a consciência de laços comuns, até então despercebidos, que unem as escritas fonéticas a todas as outras formas de escrita não alfabéticas. Não por acaso começamos a assistir nesse século, a uma verdadeira confederação das escritas que rompendo suas linhas de isolamento, despudoradamente se puseram a namorar e, copulando, especialmente em muitos dos trabalhos da arte gestual, geraram novos rebentos em formas de escrita imprevistas.”(Lúcia Santaella em: “Tendências da Poesia Visual”)  

Ao longo dos anos a concepção e o desenvolvimento não só da poesia visual mas também de outras linguagens como a fotografia e o próprio conceito de ilustração afastou a ideia de livro como veículo de comunicação e o elevou ao o status obra de arte, o livro como um todo orgânico.  Essa ideia de obra de arte hibrida (literatura mais artes plásticas) se expande quando falamos em hipermídia, transformando essas dualidades imagem e texto e texto imagem em um relação mais complexa onde além de textos comuns e imagens, são inseridos sons, animações e vídeos. 
Apesar de tentar fazer um traço linear, falando um pouco da relação da poesia em relação as artes plásticas e também com a música e o  cinema, por exemplo, é importante ressaltar que no presente essas fronteiras foram completamente desmistificadas, e que talvez a hipermídia seja o espaço onde isso é ainda mais transparente.
Se pensarmos em poesia virtual, temos que pensar que navegando pelo mundo da internet podemos encontrar a poesia em seus mais profundas e antigas relações, visto que podemos baixar e ouvir canções, podemos ler poemas visuais e também encontrar tudo isso junto em um ou mais cliques, em um processo de leitura de navegação conceito que também só surgiu com o advento da internet e de suas plataformas como blogs, por exemplo. Falar em poesia virtual para crianças ou não, é falar de um processo labiríntico de busca, onde o hibridismo entre a poesia e as outras artes pode ser encontrado de maneira não linear e nos seus mais variáveis níveis.



Para essa introdução foi tomado como base o artigo “Tendências da Poesia Visual“da Lúcia Santaella,vale a pena ler. E como estamos falando em hipermídia é só dar um clique o artigo está disponível:



Indico aqui também esse jngle dos anos oitenta, para uma visualização do que ela fala sobre a poesia nos meios de comunicação de massa e também um poema visual que promove a marca da coca cola: