A proposta desse blog é iniciar uma discussão sobre a poesia infanto-juvenil no mundo virtual, verificando suas raízes na poesia visual e entendendo como a hipermídia pode passar os limites do livro e produzir uma ideia mais abrangente de poesia na contemporaneidade.
Se antes da invenção de Gutenberg a poesia e a música eram linguagens que se uniam e até hoje se unem em canções, e até mesmo em jingles publicitários depois da popularização dos meios de impressão, a poesia começa a desenvolver o seu status visual, visto que passou a ser reproduzida por meios impressos. Se traçarmos essa transição da oralidade para escrita podemos entender o porque por muitos anos a ilustração do livro era preterida a parte textual. No inicio o livro foi mero “reprodutor visível do que antes era audível” e só depois, já no início do século XX começamos a entender o livro em si como espaço visual de percepção simbólica e a relação da palavra escrita com as artes plásticas.
“De um mero epifenômeno da fala, a escrita passou a assumir o risco e o desafio de sua fisicalidade plástica. Desse desafio, brotou a consciência de laços comuns, até então despercebidos, que unem as escritas fonéticas a todas as outras formas de escrita não alfabéticas. Não por acaso começamos a assistir nesse século, a uma verdadeira confederação das escritas que rompendo suas linhas de isolamento, despudoradamente se puseram a namorar e, copulando, especialmente em muitos dos trabalhos da arte gestual, geraram novos rebentos em formas de escrita imprevistas.”(Lúcia Santaella em: “Tendências da Poesia Visual”)
Ao longo dos anos a concepção e o desenvolvimento não só da poesia visual mas também de outras linguagens como a fotografia e o próprio conceito de ilustração afastou a ideia de livro como veículo de comunicação e o elevou ao o status obra de arte, o livro como um todo orgânico. Essa ideia de obra de arte hibrida (literatura mais artes plásticas) se expande quando falamos em hipermídia, transformando essas dualidades imagem e texto e texto imagem em um relação mais complexa onde além de textos comuns e imagens, são inseridos sons, animações e vídeos.
Apesar de tentar fazer um traço linear, falando um pouco da relação da poesia em relação as artes plásticas e também com a música e o cinema, por exemplo, é importante ressaltar que no presente essas fronteiras foram completamente desmistificadas, e que talvez a hipermídia seja o espaço onde isso é ainda mais transparente.
Se pensarmos em poesia virtual, temos que pensar que navegando pelo mundo da internet podemos encontrar a poesia em seus mais profundas e antigas relações, visto que podemos baixar e ouvir canções, podemos ler poemas visuais e também encontrar tudo isso junto em um ou mais cliques, em um processo de leitura de navegação conceito que também só surgiu com o advento da internet e de suas plataformas como blogs, por exemplo. Falar em poesia virtual para crianças ou não, é falar de um processo labiríntico de busca, onde o hibridismo entre a poesia e as outras artes pode ser encontrado de maneira não linear e nos seus mais variáveis níveis.
Para essa introdução foi tomado como base o artigo “Tendências da Poesia Visual“da Lúcia Santaella,vale a pena ler. E como estamos falando em hipermídia é só dar um clique o artigo está disponível:
Indico aqui também esse jngle dos anos oitenta, para uma visualização do que ela fala sobre a poesia nos meios de comunicação de massa e também um poema visual que promove a marca da coca cola:


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